Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

The Ramblers | Live 29/05/2010 (Circus Maximus Podcast 005)



Já falei dos The Ramblers neste blogue; o seu primeiro EP, editado no início do ano, foi uma excelente demonstração de técnica, paixão e cultura musical. Um pedaço de Blues partido em 5 músicas sem falhas aparentes mas às quais eu disse que faltava um pouco de personalidade...

Pois ontem os The Ramblers contactaram-me e pediram-me que fizesse uma review de um concerto recente (em que abriam para o grande B.B. King!). E perante a audição deste excelente live act de 54 minutos, eu tenho que retirar as minhas palavras quanto ao facto dos The Ramblers necessitarem de uma personalidade; porque está errado. Eles precisam de um pouco mais de personalidade em estúdio, na consumação delicada de uma canção. Porque ao vivo será difícil encontrar em Portugal uma banda que carregue tanta paixão, tanta carga musical, um Blues tão aderente e uma actuação tão livre de defeitos. Os The Ramblers ao vivo são do caralho!

O conjunto de faixas que os The Ramblers apresentam ao vivo é mais um indício de inteligência e brilhantismo por parte da banda; pelo menos neste concerto em particular. O grupo abriu com o seu melhor material; Blues Nest é a "tal" faixa do último EP e Fire é uma excelente surpresa que funciona muito bem num palco. Já You Done Lost Your Good Thing Now é uma cover necessária neste opening e muito bem escolhida; e consigo perfeitamente imaginar o próprio B.B. King sorrir nos bastidores perante os primeiros acordes da sua canção. Da mesma forma que sorriria o Rui Veloso se pudesse ouvir a versão que os The Ramblers fizeram do seu primeiro (e mais blue) single, o eterno Chico Fininho.

O concerto (podcast pela minha posição de ouvinte de sofá) continua com a mesma fogosidade com que começa, atingindo o seu ponto alto em mais uma cover, desta vez dos Rolling Stones. Também mais conteúdo do EP surge neste concerto e eu não consigo deixar de pensar, ao relembrar a modesta segunda edição da Circus Maximus, o quanto estes tipos soam muito melhor ao vivo.

E perante esta certeza, bastantes covers deliciosos (imaginem só, até Toots & the Maytals!) e algum material novo que promete um futuro em estúdio ainda mais risonho (She's Always Naked iguala o melhor que os The Ramblers fizeram no seu EP) ouvir este excelente concerto é mesmo uma obrigação; se não ouviu o EP, ouça este Podcast. Se o ouviu, ouça principalmente e conheça uma banda que é realmente capaz de acelerar as batidas da sua música quando tem uma plateia em frente.

Muito, muito bom. E extremamente recomendado.

 

http://circusmaximusmusic.blogspot.com/2010/06/circus-maximus-podcast-005-ramblers.html

publicado por . às 19:28
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Infestus | Tigre

Tigre é daquelas coisas muito especiais a aparecerem por aí. Primeiro, porque é o EP mais completo que tem aparecido nos últimos tempos, se bem que os 35 minutos de duração ajudam. Segundo, porque é da melhor electrónica que tem surgido. Terceiro, porque serve um propósito de influências Dance e não só que tornam tudo isto numa mistela electronicó-cultural impressionante. Vejamos:

Uma Vida Pela Frente é um festim de electrónicas progressivas que desata a determinada altura num delírio sonoro; Eu E Tu (Ela) é música de bater o pé com uma bassline matadora e uns samples vocais bastante interessantes (a lembrar qualquer coisa muito funk); Mortalha Barato é aquela música para droga que não pode faltar num álbum que traz consigo o conceito Dubstep: uma espécie de reggae distorcido sob uma batida e um bass muito dub; Mourão Dub, por sua vez, é o mais estranho e talvez melhor momento do EP, uma música de fusão que junta uma espécie de acordeão obscuro com uma bassline e alguns arranjos muito pop/rock; Essa Cana Aí explora samples de forma excelente e fornece-lhes uma atmosfera muito Dubstep; Bitch Queen Boogie tem tudo o que o seu nome indica: anos 80, trompetes da época e ainda uma batida muito cool que parece ter saído da primeira House e descende um pouco do Disco; Amar Assim põe um fim ao muito bom EP e é também uma música muito complicada de descrever, que vejo como uma fusão da primeira e segunda faixa, com uma guitarra muito bem metida pelo meio.

E com uma descrição destas, podia este não ser um EP que vale a pena?

 

* e só para pôr algum defeito à coisa, o artwork está muito mau.

publicado por . às 18:52
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

The Ramblers | The Ramblers

A Circus Maximus, mais jovem netlabel nacional, provou um começo interessante com o EP de música electrónica assinado por Infestus, uma das melhores cenas que ouvi este ano. A sua segunda edição (EP homónimo de 5 músicas e 23 minutos dos The Ramblers) chegou ao Hype Light e veio creditado como Blues. A sonoridade da banda assenta-se precisamente nas influências norte-americanas, seja da música negra ou do rock'n'roll. O que significa que aqui hão-de encontrar uma boa dose de ritmo, guitarras no ponto, um orgão que eu considero especialmente fantástico e ainda uma vocalista carismática. São, estes, de resto, os pontos fortes deste colectivo. E não se enganem: esta é música feita por sujeitos que, se não são profissionais, tocam como tal. E está a muitas milhas de tudo o resto que podem encontrar no netáudio; isto é música de sempre e para todos. Uma compilação sonora de muitos anos de cultura americana e do bom-fazer rock. Seja pelo solo de guitarra em Bad Luck Soul, pela voz de "Rosie" em Devil's Gospel ou pelos intrigantes 6 minutos de Blues Nest, saquem isto que não é coisa que se ofereça muitas vezes. Nota-se contudo, e mais para aqueles cultores indie que andam aí, uma falta de personalidade que pode ser preocupante e que se pode revelar um entrave no caminho de uma banda que tem a capacidade técnica de fazer música capaz de cativar Portugal inteiro e de não deixar ninguém indiferente. Mas sobre isso, esperemos. Esta ainda "só" foi uma primeira amostra.

publicado por . às 19:17
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Pyroplastos | Demo 2009

Algo isolados das cenas musicais mais movimentadas de Portugal, os Pyroplastos servem-se deste simples Demo de 3 canções e 17 minutos para promover o seu trabalho. As gravações não são boas, como aliás nunca o são as gravações caseiras/amadoras. O som, felizmente, tem menos falhas, apesar de também encontrar os seus defeitos.

A banda apresenta-se como uma junção de Rock, Ska e Psicadelismo, estando este último termo mais deslocado do que os restantes e não tão evidente. Aliás, o que está em falta nos Pyroplastos é talvez um pouco mais de raça Psicadélica. De resto, temos um grupo muito interessante: tendo em conta que é formado por malta de 17 e 18 anos.

As influências são boas, e nota-se que estes adolescentes (bastante talentosos, por sinal) andaram a estudar afincadamente os manuais do bom Rock e assentam os ouvidos nas décadas que precederam o presente milénio. O que também é bom é eles o fazerem sem quererem ser os próximos Nirvana, nem os próximos Soundgarden, nem os próximos Foo Fighters. Os Pyroplastos souberam compor um som só seu e isso é algo notável; conhecem as pautas e as estruturas de uma canção, e os únicos defeitos técnicos a apontar neste Demo estão no vocalista.

Falando em particular, o disco começa com a "quase-quase-comercializada" Anjos, uma música que fica um pouco longe da praia do Ska. Felizmente, Motivos apanha no Ska banhos-de-sol suficientes para um escaldão; é também o momento mais interessante desta rockalhada toda, com 7 minutos a passarem tão rápido como os 4 anteriores. Verdades Envergonhadas segue a tendência e demonstra um vocalista felizmente mais contido e mais no ponto.

Resumindo, os Pyroplastos não são uma banda perfeita, como não o é nenhuma e muito menos numa fase da carreira como esta (e com elementos tão jovens), mas é promissora que chegue para este Demo 2009 valer uma escutadela sua. E, mais importante que tudo, tem personalidade que chegue para se distinguir de quase todas as bandas de gente (muito) jovem a surgirem como coelhos por Portugal.

E cantam em português, caralho!

publicado por . às 14:37
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SOBRE

Hype Light é um blogue onde novas e velhas bandas do underground português têm a oportunidade de obter do seu trabalho uma review séria e imparcial. Apesar de não dispor de doutoramentos em musicologia ou jornalismo musical, possuo alguns conhecimentos ao nível de música (que contudo não ultrapassam os de um ouvinte fervoroso) de todos os géneros, embora admita uma ligeira ignorância no que diz respeito ao Metal e ao Rap convencional.

CONTACTO

Através de bernardo-barbosa1@sapo.pt . Enviem a vossa música através de ficheiros zipados ou então links para downloads. Também aceito links para sites de stream como o Bandcamp e o Last.fm, mas apenas faço uma review de um álbum/ep/single se puder ouvir todas as faixas na íntegra. Bandas sem trabalhos editados também me podem contactar, caso tenham alguma música disponível na net. Para isso enviem-me um link com o vosso Myspace, Facebook etc.

IMPORTANTE

As opiniões registadas nas reviews deste blogue são sinceras e imparciais, o que significa que ao enviares a tua música podes não receber um feedback positivo. Mas caso o obtenhas, saberás que parte de uma resposta sincera da parte de um ouvinte (eu) e na minha opinião, isso tem mais valor que uma promoção insensata e sem opinião.

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